
Trabalho há quase nove anos com investimentos e, há pouco mais de um ano, estamos à frente de um projeto de financiamento e consórcio. Nesse tempo, ficou evidente para mim a real necessidade do brasileiro: somos um povo trabalhador e criativo, mas ainda profundamente pobre.
Vivemos em um país abundante em recursos — com sol o ano inteiro, reservas minerais riquíssimas, terras férteis e instituições de ensino de excelência como ITA, IME e IPT —, mas, paradoxalmente, a riqueza não chega à maioria. A venda de produtos financeiros continua concentrada no mesmo público: médicos, advogados, servidores públicos e empresários. Frente à população total, é uma fração ínfima. Isso mostra que não falta potencial, falta capacidade de transformar esse potencial em prosperidade.
O Brasil possui hoje um sistema financeiro moderno e acessível. Plataformas digitais conectam investidores ao mundo, consórcios e linhas de crédito permitem acesso a bens a custos menores que à vista, e as opções de investimento se multiplicam. Ainda assim, a maior parte da população segue à margem. O que impede o acesso? Mais impostos? Mais bolsas? Ou a ausência de um diagnóstico real sobre as causas estruturais da pobreza?
Discordo da ideia de que o Brasil é um país rico. Somos um país de recursos fartos, mas pobres em transformação. Ser rico seria transformar recursos naturais e intelectuais em bem-estar coletivo — e isso não acontece. Vivemos esperando: esperando o governo, a queda dos juros, o fim da corrupção. Como na música Pedro Pedreiro, seguimos parados na plataforma da esperança, enquanto o trem do desenvolvimento passa.
A solução começa com o aumento da renda média, que depende da produtividade e do número de negócios gerados. Quanto mais empreendimentos surgem, mais empregos e renda se criam. Dinheiro e crédito precisam circular com fluidez, mas isso só ocorre quando o valor é produzido de forma genuína — e quando o mérito é recompensado. É preciso exportar mais, atrair capital estrangeiro e valorizar quem entrega resultados concretos à sociedade.
A tecnologia e a inteligência artificial abriram uma nova fronteira. Hoje, jovens brasileiros podem trabalhar para o exterior, receber em moeda forte e construir patrimônio no país. As universidades devem direcionar recursos para pesquisas que gerem inovação e impacto real. O conhecimento precisa deixar o papel e virar riqueza tangível.
O Brasil não precisa de mais discursos, mas de transformação produtiva e cultural. Prosperidade não nasce da redistribuição da pobreza, e sim da multiplicação da riqueza. O país que queremos será construído por quem decide agir, empreender e inovar — não por quem apenas espera.
Talvez sejamos realmente ricos no dia em que cada brasileiro entender que a mudança não virá de fora, mas de dentro: do esforço coletivo em transformar potencial em valor, oportunidade em renda e conhecimento em progresso. É nesse ponto que deixaremos de ser um país de promessas e nos tornaremos, enfim, um país de realizações.